サラリーマン (Sararīman)
Apesar do conceito de サラリーマン ser como se pode ver um conceito japonês, hoje decidi analisar a abordagem desse conceito fazendo as necessárias reinterpretações para o atual cenário nacional, por questões de simplificação, usarei o termo como Salaryman. E primeiramente se deve estipulador o que é o conceito de Salaryman, que por seu nome se pode concluir que é o funcionário assalariado, porém dentro das conjunturas sociais japonesas se encontra com mais pontos que o definem, sendo normalmente um funcionário de grandes empresas, que possuem carga horária exaustivas e em contrapartida recebem certa estabilidade social e financeira.
Atualmente no entanto esse estilo de trabalho tem se enfraquecido com o crescimento da crise econômica, assim como as novas conjunturas do capitalismo tardio, na atual sociedade esse estilo de vida não garante mais a estabilidade que anteriormente se garantia, no momento presente se percebe que a maior taxa de suicídios no Japão acontece durante o período de fim do ano fiscal, ou seja quando se percebe que atualmente mesmo para essas pessoas que tinham uma situação estável já se encontram em profunda instabilidade, e quando as contas não fecham resultam em desespero causando o aumento da taxa de suicídio, similar a imagem criada sobre o crash da bolsa em 29, que apesar de não ser real durante a grande depressão verdadeiramente ocorreu um crescimento na taxa de suicídios, onde investidores se jogavam de seus prédios ao perderem todo seu capital. Numa conjuntura de desesperança com o futuro, se encontram jovens que já não vem valor em se tornar salarymans, gerando a alta taxa de desemprego atual no Japão.
Contextualizadas as conjunturas da queda do estilo de vida salaryman, trago minha analise de efeito similar que pude notar nas conjunturas de emprego para o jovem adulto brasileiro, o qual nasceu durante o boom das comodities, teve se não toda, boa parte de sua infância durante esse período de crescimento econômico de toda dos países exportadores de matérias primas, então vemos uma juventude que visualizou um mundo em sua infância e hoje se depara com uma crise, alta no preços e baixos salários, hoje dificilmente um jovem que não venha de boas condições sociais poderá ter propriedades próprias, com a facilidade que se havia no passado, e com toda certeza não terá a estabilidade que seus pais tiveram. Ao serem feitas as observações aqui postas pode-se notar a similaridade das situações vividas no Japão e no Brasil, contudo isto leva a diferentes implicações e origens, e para analisar isso parti da seguinte frase "Você tem que parar de pular de emprego em emprego", posta essa ideia que ouvi parti para o exercício mental de analisar diferentes situações que poderiam se relacionar a ela, primeiramente analisei em meu conjunto familiar, onde meu pai se mantém no mesmo emprego já a por volta de uns 30 anos, e durante certa parte desse período unicamente seu salário era capaz de sustentar alimentação, contas, e necessidades de um conjunto familiar composto por 3 pessoas, posteriormente minha mãe volta a trabalhar, e cada vez mais é perceptível a necessidade de seu salário para pagar as contas conjuntas da casa, posteriormente eu começo a trabalhar, e as contas da casa continuam precisando que exista toda a renda que é arrecadada, é claro precisa considerar-se as necessidades que se transformam de acordo com a passagem do tempo, contudo ainda sim nota-se a diminuição da estabilidade que esse sistema de trabalho em que estar empregado em uma empresa e com histórico dentro dela lhe garantia uma boa ou minimamente a estabilidade para sobrevivência.
Atualmente o jovem que ainda não possui formação, está fazendo uma faculdade, e ainda não possuí grande experiencia no mercado de trabalho, dificilmente encontrará um emprego com remuneração suficiente para um estilo de vida confortável, onde especialistas estipulam a remuneração de 5.000 para se possuir uma vida confortável, contudo o salário mínimo atual se encontra em 1.518, mesmo se desconsiderássemos o lazer como sendo necessário para a preservação da "boa vida", ainda sim não é possível compor as necessidades básicas para o jovem que acabei de descrever, onde possui gastos com transporte, alimentação, aluguel, contas, muitas vezes com faculdade, então se encontra também em nossa conjuntura jovens que constantemente se encontram trocando de trabalhos em busca de melhores condições e muitas vezes procuram formas alternativas de trabalho para complementar a renda que possuem, ou procurando empregos sem seguridades básicas, como Uber, Ifood, e empresas similares.
Contudo a mera analise da situação não explica de onde surge o incentivo a "fidelidade" do funcionário a sua empresa, ou ao seu patrão, e retrocedendo no tempo podemos analisar isso partindo da disponibilidade empregatícia, o país passou por diversos momentos em que as cidades eram totalmente voltadas para uma única função que se baseava na indústria a qual se desenvolvia naquela localidade, Imbituba minha cidade viveu seus ciclos econômicos, a pesca da baleia, a ação portuária do transporte do carvão, e sua breve história com a Industria Carboquímica Catarinense, e assim também foram construídas algumas cidades vizinhas como Capivari de Baixo, projetada para a habitação dos moradores da indústria ali situada. Crescendo em cidades que existiam unicamente para sua determinada função e todos os empregos fora daquilo que ali se desenvolviam eram para que se cumprisse alguma função básica social ou lazer, pessoas mais velhas que ainda se mantém crendo no sistema que vivenciaram onde existia pouca disponibilidade de emprego, e muitas vezes as empresas pertenciam ao mesmo dono, onde "se queimar" com o patrão significaria uma dificuldade extrema de se encontrar outros empregos, com essa conjuntura em sua mente se torna preferível para eles que seja um funcionário "fiel" que não se encontra em uma situação tão boa do que ser alguém que procura melhores situações, mesmo que passando por diversos empregos.
Então concluindo se vê uma herança de um estilo de trabalho que valoriza uma estabilidade que já não existe, e possui um medo de uma situação que também já não existe, e como sempre gostaria de citar que isto nada mais é que uma análise feita partindo dos conhecimento que já possuo e posso ainda pesquisar para embasá-la mais ou mudar de opinião acerca da conclusão.
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