CAPITULO 1 (O Reino de Deus está em Vós)
"O SENHOR será mediador entre os povos e resolverá os conflitos das nações. Os povos transformarão suas espadas em arados e suas lanças em podadeiras. As nações deixarão de lutar entre si e já não treinarão para a guerra." (NVI)
Isaías 2:4
Recentemente recebi a informação que alguns conterrâneos estavam na guerra entre Rússia e Ucrânia, tendo um desses homens falecido durante o combate e outro tendo voltado para casa. Coincidentemente no mesmo dia em que recebo essas informações inicio uma leitura do livro "O Reino de Deus está em Vós", do autor russo Tolstói, visualizando esse cenário, com as reflexões do autor vivas em minha mente não pude deixar de escrever.
Vivemos com a guerra enraizada nos nossos imaginários, quando criança brincamos com "soldadinhos", temos filmes que retratam a guerra, feitos para todas as faixas etárias, crescemos com a imagem da guerra como algo que pode até ser visto como negativa mas natural, ou até mesmo algo que torna alguém "honrado". Graças a construção da imagem do militar honrado, e da guerra que constrói o homem forte se vê notícias como: "Homem pede ajuda para voltar dá guerra na Ucrânia, 'não era o que imaginava'". Ao deparar-me com esse cenário escolhi optar e apresentar a conclusão de Tolstói.
"Reconhecemos como anticristãs e ilegais todas as guerras - ofensivas ou defensivas - e, também, as organizações para a guerra [...] enfim, reprovamos igualmente como anticristã qualquer lei que nos obrigue ao serviço militar." (p.12) "Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra." (Mateus 5:39). Baseando-se na passagem do evangelho de Mateus, Tolstói argumenta que o dever de todo aquele que seguir a mensagem de Cristo é não submeter-se a qualquer tipo de violência, tendo como incluso a guerra, levando ainda até um segundo ponto de que qualquer função de manter o "bem" por meio da violência deve ser ilegítima a seus princípios.
Tolstói buscou ainda, para analisar sua conclusão, outros autores e movimentos cristãos que se opusessem radicalmente a violência, pregando o pacifismo, tendo tido contato com as ideias de W. L. Garrison, importante abolicionista dos EUA, fundador da Sociedade da Não Resistência, defensores da abolição, não violência e opostos aos governos coercitivos, teve também contato com as ideias de Adin Ballou, importante líder de uma comunidade socialista cristã, defensor do pacifismo. O autor também vem a citar "Kheltchitsky", não fui capaz de precisar a razão dessa escrita mas se refere ao autor Petr Helchitsky, viveu no período medieval, tendo vivido por volta de 1300, argumentava que "aquele que obedece a Deus, não precisa de nenhuma outra autoridade", além desses pensadores, o autor cita diversas comunidades de fé como os quakers, menonitas, entre outros movimentos.
Baseado nas ideias de Helchitsky, Tolstói desenvolve mais profundamente o conceito da não violência, "o amor aos inimigos, não pode se conciliar com a violência, condição essencial do poder." (p.29) Com esse argumento aprofunda-se o conceito de não violência, não sendo apenas a oposição as guerras, mas a concentração do poder em Estado, ou outras instituições, pois o acumulo de poder é gerado pela violência e gera novas violências.
A guerra é incentivada, desde novas as crianças são desenvolvidas para entender "valor" intrínseco a guerra e quem a pratica, contudo pode-se claramente entender a motivação que desenvolve isso, sendo unicamente a necessidade que existe aos governos, se pela força um Estado nasce, somente pela força ele consegue subsistir, e assim se conclui, que é ilegítimo a defesa do Estado para aqueles que possuem como lei divina a não violência. Para que não se use a violência o argumento de Tolstói afirma que se deve cumprir as leis, opondo-se apenas as que forcem o uso da violência.
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