A COLONIZAÇÃO E O NASCIMENTO DO CAPITALISMO
A América Latina foi durante anos um local para puro extrativismo desenfreado, enquanto no continente europeu iniciava-se a revolução industrial, a produção da cana-de-açúcar, a extração do ouro, prata e pedras preciosas que ocorriam no território colonial sustentava o nascimento do capitalismo industrial, isso sem que citemos o dinheiro gerado pelo trafico de mão de obra escravizada e o comércio da folha da coca, o qual sustentou tanto o estado, quanto a igreja através das taxas em cima da comercialização da planta.
Uma frase que podemos citar vem do autor idealizador do comunismo cientifico, Karl Marx, onde o autor afirma “Sem escravidão, não teríamos o algodão; sem o algodão, não teríamos a indústria moderna.” O autor faz uma simplificação explicativa de como a estrutura do capitalismo que se enriqueceu na Europa foi construída sobre a sustentação do sistema colonial através de exploração de trabalhadores escravizados, de extrativismo que causou danos dos mais diversos ao território, sustentou-se sobre o assassinato cruel de povos indígenas, que foi nada além de um holocausto americano, se perpetuando dos primórdios da colonização, acontecendo na América hispânica, desde a chegada de Colombo, acontecendo no Brasil desde o começo da colonização até meados do XX, os bugreiros agiram no começo dos anos de 1900, tendo registros de ação nos anos de 20 e adiante, em relatos pode-se ver o indígena tratado como um simples animal sendo caçado, onde é dito que atiravam rindo, fazendo contagem de quantos "haviam derrubado". E isso é o que sustentou por anos, e em certa parcela ainda sustenta o capitalismo que desenvolveu a Europa.
Enquanto industriais desenvolviam suas fabricas criando o que Tolstoi chamaria de "A Escravidão Moderna", mesmo nome que dá titulo ao seu livro, tudo isso era sustentado com o envio de metais, algodão, açúcar, entre outros produtos que eram explorados pela escravidão em seu conceito original, a Inglaterra que desenvolvia-se rapidamente crescendo suas industrias, berço de autores como John Locke, o qual ficou conhecido como "o pai do liberalismo", lucrava com o comércio de seres humanos, para o trabalho escravo. A França, o berço do iluminismo, de autores como Proudhon, Rousseau e outros, mantinha sua colônia de Saint Domingue, a qual através da revolução feita pelos escravizados, tornou-se Haiti.
Um caso que não se pode esquecer de citar acerca da exploração mineral da América Latina, é Potosí, cidade mais alta do mundo e local onde foi feita extrema exploração da Prata, tendo sido usada como referencia para uma grande quantidade de dinheiro em Dom Quixote de La Mancha, romance de Miguel de Cervantes. Potosí teve suas minas exploradas com o uso da mão de obras dos povos nativos, através da escravidão e do sistema de encomienda, o qual não se defere nem um pouco da escravidão, onde os povos indígenas trabalhavam para os colonizadores espanhóis e em troca recebiam proteção, a qual não seria necessária se não fosse a própria colonização, educação na fé, sendo a fé instituída de forma violenta para os povos indígenas. Quando as minas de Potosí se encontraram já sem suas grandes quantidades de prata, que após sua extração foram levadas para a Europa, sem que as pessoas que viviam na região de Potosí tivesse retorno real dessa exploração, a coroa espanhola abandonou a cidade para encontrar lucros na exploração de outras áreas e outros comércios, sendo que até a atualidade existe a mineração de forma precarizada na região de Potosí, minerando-se metais menos preciosos mas que são usados para desenvolvimento de aparelhos eletrônicos e outros, a cidade atualmente se sustenta unicamente desse resquício das minerações e do turismo.
Outro exemplo dos danos causados pela colonização no território latino americano, é os danos da monocultura e da exploração agrícola no Brasil. Para que fosse iniciada a produção da cana-de-açúcar, foram feitas queimadas do território para o cultivo, assim como a degradação do solo que é causada pela monocultura da cana, tendo assim o solo sido danificado grandemente, dificultando o cultivo na localização, sendo que isso causou grandes problemas para a população local, que por muito tempo dependeram de plantações de subsistência. Os danos causados pela exploração das colônias na América foram ambientais, sociais, econômicos e muito mais. O capitalismo se sustentou nesses danos para seu crescimento, assim como extensivamente o continente europeu se sustentou dos lucros da destruição desses locais. Hoje a escravidão continua acontecendo, tendo tido registros de pessoas encontradas em situações análogas a escravidão, trabalhando em limpeza doméstica, em engenhos, como foi no passado. Hoje praticamente qualquer aparelhagem eletrônica é produzida com minérios explorados pela escravidão, a exploração imoral dos recursos naturais e humanos não se limitou ao passado, mas vivendo em um sistema capitalista, nós mesmos, atualmente vivemos e aproveitamos dos frutos da mão de obra escrava, de forma consciente ou inconsciente, recebemos os frutos da mão de obra escrava que ocorreu no passado de nosso país, e da mão de obra análoga a escravidão, e da escravidão moderna, como Tolstoi denuncia, que continua a ocorrer em todo o mundo.
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